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08 de abril de 2026

Exportações de madeira têm tímida retomada em março

Os dados do primeiro trimestre revelam uma queda acentuada nos volumes e valores, comparados ao mesmo período do ano passado


As exportações de produtos madeireiros acompanhados pela WoodFlow apresentaram uma recuperação de 2% nos volumes e 9% em valores no mês de março. Entretanto, no acumulado do ano, o primeiro trimestre têm queda de 16% em volume e 20% em valores, na comparação com o mesmo período do ano passado. 

“Março começou com uma expectativa de retomada de embarques aos Estados Unidos, depois da redução das tarifas de importação por lá. Mas dentro das fábricas o movimento ainda é tímido, devido às incertezas geopolíticas", destacou Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow. 

Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat.

É possível notar uma estabilidade nos volumes exportados nesses três primeiros meses de 2026 e uma oscilação nos valores, o que acompanha a cotação do dólar. “É notável que iniciamos este ano  com exportações bem abaixo dos registros de 2025 e 2024, anos que foram igualmente desafiadores para a indústria madeireira brasileira", acrescentou Gustavo. 

O principal cliente X diversificação de mercados

Os Estados Unidos estão deixando de figurar entre os primeiros colocados em compras de produtos brasileiros. Para madeira serrada de Pinus, por exemplo, em março foram exportados US$ 8,1 milhões para os EUA, uma queda de 28% quando comparado com os US$ 11,2 mi exportados em fevereiro. Em março, pela primeira vez em anos, o México está em primeiro lugar na compra desse produto, com US$ 11,2 mi. 

No caso de Compensado de Pinus, outro produto relevante na carteira de exportação brasileira, os EUA ainda figuram em primeiro lugar, com US$ 8,1 mi, porém outros destinos começam a aumentar suas importações, é o caso da Alemanha, que saiu de US$ 5 mi em janeiro para US$ 7,1 em março; E México que avançou de US$ 3,5 mi em fevereiro para US$ 5,3 mi em março.

“Porém ao olhar para os outros países da lista de compradores, é possível notar que nossos produtos estão encontrando novos destinos. É o caso da Suécia que comprou US$ 2,5mi de compensado de pinus em março, sendo que em janeiro havia comprado apenas US$ 0,8 mi. E, no caso da madeira serrada de Pinus, o Vietnã apareceu em terceiro lugar em março, comprando US$ 5,4 mi, enquanto no primeiro mês do ano o montante foi de US$ 3,1 mi", detalhou Gustavo. 

As tarifas elevadas para o Brasil reduziram drasticamente as exportações aos EUA. Enquanto em março de 2025 foram exportados US$ 66,8 mi, na soma de todos os produtos que vão para lá, este ano o montante foi de US$ 18,9 mi, o menor valor registrado desde novembro do ano passado. 

Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat.

Guerra no Oriente Médio

O efeito guerra para as exportações brasileiras ao Oriente Médio foi imediato. Os valores que estavam em ascensão desde dezembro, caíram vertiginosamente em fevereiro (51%) e março (27%). 

“O principal produto exportado para o Oriente Médio é madeira serrada de pinus. Justamente o produto que antes iria aos EUA, com a guerra contra o Irã, teve quedas expressivas nas exportações para aquela região. Para se ter uma ideia, a Arábia Saudita que comprou US$ 6,7 mi em janeiro, importou do Brasil apenas US$ 2,7 mi, em março", acrescentou Gustavo.

Outro exemplo, complementa o CEO da WoodFlow, é os Emirados Árabes Unidos, que compraram US$ 6,5 mi de madeira serrada de pinus em janeiro e baixaram para US$ 1 mi em março.

Fonte: WoodFlow, com dados ComexStat.

Perspectivas

Findo o primeiro trimestre de 2026, as perspectivas para o ano ainda são de insegurança no mercado externo. Apesar das tarifas aos EUA estarem reduzidas a 10%, o produto brasileiro enfrenta uma competição de mercado com outros países que possuem melhor disponibilidade logística. 

“Além disso, o alto custo dos transportes também é um desafio para o exportador brasileiro, que vê sua margem de lucro diminuir, na medida em que o dólar é desvalorizado ao mesmo tempo em que o custo de transporte e de produção aumenta", disse o CEO da WoodFlow. 

Segundo Gustavo, os empresários estão voltados para a geopolítica internacional, acompanhando de perto os desdobramentos da Guerra entre EUA e Irã e com esperança de avançar em mercados europeus com o acordo entre União Européia e Mercosul. 


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