Início Blog WoodFlow Comércio global exige estratégia do setor madeireiro
12 de maio de 2026
Em novo episódio, Podcast WoodFlow debate porque diversificação de mercados e produtos se tornou essencial para o setor madeireiro brasileiro
Após um primeiro quadrimestre de oscilações nas exportações brasileiras de produtos de madeira, o setor segue diante de um cenário internacional que exige atenção redobrada das empresas. Segundo dados compilados pela STCP, os oito produtos madeireiros acompanhados somaram cerca de US$ 770 milhões em exportações nos quatro primeiros meses de 2026, frente a aproximadamente US$ 1 bilhão no mesmo período do ano anterior, uma retração próxima de 30% em valor exportado.
O desempenho reflete um ambiente externo mais instável, marcado por mudanças tarifárias nos Estados Unidos, impactos geopolíticos da guerra entre Estados Unidos e Irã, pressão sobre custos logísticos e oscilações na demanda internacional. Apesar do recuo acumulado no ano, abril trouxe sinais de retomada em alguns produtos, como madeira serrada de pinus e compensados, com aumento mais expressivo em volume e valor exportado na comparação com março.
Esse cenário é o ponto de partida do episódio 26 do Podcast WoodFlow, que reúne Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, José Pio Martins, economista, professor, comentarista econômico e consultor em economia, e Marcelo Wiecheteck, head de Desenvolvimento Estratégico da STCP, para uma conversa sobre globalização, comércio internacional e os impactos desse contexto no mercado da madeira.
Durante o episódio, José Pio Martins explica que a globalização pode ser entendida como a integração entre países, como se o mundo funcionasse como um grande mercado. Para o economista, esse processo não é apenas uma escolha, mas uma condição imposta pela complexidade da economia atual e pela necessidade de atender a uma população mundial superior a 8 bilhões de pessoas.
“A globalização não é uma opção. Em muitos aspectos, ela é uma imposição. Com uma população mundial acima de 8 bilhões de pessoas, alimentar, vestir e atender às necessidades básicas dessa população exige integração entre os países”, afirma José Pio.
No caso do setor madeireiro, essa integração amplia oportunidades de acesso a mercados internacionais, mas também aumenta a exposição das empresas brasileiras a decisões políticas, econômicas e geopolíticas tomadas fora do país.
De acordo com Marcelo Wiecheteck, os primeiros quatro meses de 2026 mostram um setor ainda em ajuste. No caso da madeira serrada de pinus, há sinais de estabilidade, mas alguns produtos seguem com desempenho abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Entre os fatores que ajudam a explicar esse comportamento estão a formação de estoques no mercado americano antes da aplicação de novas tarifas, o custo de energia e produção e a retração da construção civil nos Estados Unidos.
“Quando olhamos rapidamente o que aconteceu mês a mês, abril mostra um aumento bastante pronunciado em todos os produtos acompanhados. É uma possível mudança de curso, embora ainda seja cedo para analisar as causas reais dessa retomada”, explica Marcelo.
José Pio Martins também destaca que o aumento da proteção comercial nos Estados Unidos está relacionado a desafios internos do país, como déficit fiscal, déficit comercial, nível de emprego e tentativa de reindustrialização. Segundo ele, a lógica é encarecer importações para estimular a produção interna. “Porém, para quem exporta para lá, esse cenário deixa o nosso empresário em uma situação difícil. O empresário não pode ficar dependendo de uma coisa que muda de forma acelerada”, afirma.
Na avaliação de Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, o momento reforça a necessidade de acompanhar os dados de exportação em conjunto com os movimentos internacionais que influenciam o setor. “A tarifa mudou bastante o nosso cenário. Por isso, é fundamental acompanhar não apenas os números, mas também os movimentos econômicos, políticos e geopolíticos que impactam diretamente o comércio internacional”, destaca.
Ao final do episódio, os participantes reforçam que o cenário de riscos e incertezas não deve se dissipar no curto prazo. Por isso, empresas do setor madeireiro precisam seguir atentas ao comportamento dos mercados, aos movimentos geopolíticos e aos aprendizados recentes, especialmente a importância da diversificação de mercados e produtos como estratégia para reduzir vulnerabilidades e sustentar a competitividade internacional.
04 de maio de 2026