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01 de julho de 2026
Frete marítimo sobe em junho e pressiona exportadores
Os fretes marítimos encerraram junho de 2026 em alta, em um movimento explicado pela combinação entre antecipação da alta temporada, incertezas tarifárias e pressão de custos no transporte global.
Conforme a Reuters, varejistas dos Estados Unidos anteciparam embarques da China em quatro a seis semanas para garantir estoques de fim de ano antes de possíveis aumentos de tarifas, o que elevou a disputa por espaço em navios em maio e junho. A leitura é relevante para exportadores brasileiros porque, mesmo em rotas distintas das asiáticas, a pressão sobre capacidade e custos tende a contaminar negociações globais de frete, especialmente em cadeias que dependem de previsibilidade logística.
O movimento também apareceu nos indicadores internacionais. Segundo o World Container Index da Drewry, citado pela Reuters, o frete spot de Xangai para Nova York chegou a US$ 7.149 por contêiner de 40 pés em 25 de junho, alta de 6% na semana e de 25% em relação ao ano anterior. Na rota Xangai-Los Angeles, o custo alcançou US$ 5.750, avanço semanal de 12% e alta anual de 54%. O Wall Street Journal, com base em dados da Xeneta, também apontou que o custo médio para enviar um contêiner de 40 pés da China para a Costa Oeste dos EUA atingiu US$ 5.933 no fim de junho, o maior patamar desde setembro de 2024.
Além da demanda antecipada, o combustível voltou ao centro da formação de preços. Em outra reportagem da Reuters, Peter Sand, analista-chefe da Xeneta, afirmou que o risco de uma crise energética tem sido precificado de forma mais clara nos fretes marítimos do que no próprio mercado de petróleo. A escalada foi influenciada pelo aumento do bunker, combustível usado pelos navios, em meio às tensões no Estreito de Hormuz.
A Reuters também apontou que o VLSFO, combustível marítimo de baixo teor de enxofre usado pelos navios, subiu 55% desde o início do conflito envolvendo o Irã, e que o combustível pode representar até 60% do custo de viagem de um porta-contêiner, ampliando a sensibilidade das tarifas a choques geopolíticos.
Para os exportadores brasileiros de madeira, o cenário reforça a necessidade de planejamento comercial e logístico mais cauteloso no segundo semestre. Produtos como madeira serrada, compensados e toras competem em mercados sensíveis a preço, prazo e regularidade de entrega.
Quando o frete sobe ou fica mais volátil, margens já pressionadas por câmbio, demanda internacional e custos internos podem se estreitar. Mais do que acompanhar a cotação do dólar ou o volume exportado, o mês de junho mostrou que o custo marítimo segue sendo uma variável estratégica: contratos, booking antecipado, diversificação de rotas e negociação com operadores logísticos passam a ser parte central da competitividade da madeira brasileira no exterior.